Votarei pela primeira vez este ano (mais uma responsabilidade trazida por minha independência jurídica...). Apesar de considerar nossa "política" deveras estafante, prestei-me a assistir ao horário eleitoral, a fim de escolher candidatos de forma consciente (um velho discurso idealista). E, conforme esperava, assombrei-me com tamanha falta de respeito para com o cidadão brasileiro.
Certa vez, no percurso entre minha casa e a universidade, a pilha do meu MP3 Player acabou enquanto eu ouvia Legião Urbana (meu pai disse que compraria logo o carregador, mas até hoje nada). Assim, tive que me submeter ao gosto radiofônico do motorista do ônibus (sem ofensas à classe, claro) e logo meus tímpanos foram dolorosamente estuprados em cinco velocidades. Desde então, pensei que eles não poderiam ser vítimas de um ataque mais danoso. Triste engano. Afinal, a humanidade sempre surpreende, não?
Pois bem. As musiquinhas melosas dos canditados me parecem bem mais vergonhosas que o insuportável "crééééu". O espaço de propaganda eleitoral é - em tese - destinado à exposição de propostas concretas, e não à retórica grandiosa, porém vazia. Tampouco à ridicularização dos valores e à superficialidade dos candidatos que conseguem apenas repetir "eu sou o cara". O eleitor deveria recuperar o respeito por si mesmo, obrigando os políticos a respeitarem-no também.
Creio eu que o problema está na própria concepção que fazemos de governo. O governante é o cara que manda. Tem incontáveis privilégios sociais e financeiros (vide os benefícios a que um senador "tem direito"). Essas vantagens incitam a candidatura de ambiciosos a/imorais em busca de status, que, naturalmente, privilegiam seus interesses egoístas no exercício do poder. Poder esse que corrompe e avilta. Mas governo não remete a poder. Governo remete à responsabilidade. Uma mudança de perspectiva: o governante não é o cara que manda e ganha uma nota, mas o otário que abdica de uma vida passiva e trabalha arduamente pelo bem da coletividade. Assim deveria ser. A remuneração exagerada percebida pelos políticos é um entrave ao progresso, não só no aspecto econômico/financeiro (sabia que você paga 1,5 milhão por ano para que nossos nobres representantes comprem ternos e encham a pança?). Ser líder é renunciar. O governo nada mais é que um servo do povo. "Não é o povo que deve temer seu governo, mas o governo que deve temer seu povo" (Alan Moore, em "V de Vingança"). Sob esse ponto de vista, a liderança é um fardo indesejado, e não um prêmio. Tanto melhor. Assim, seremos representados pelos otários (leia-se: éticos, honestos, altruístas).
Se não mudarmos a mentalidade absolutista e provinciana da "massa", teremos que assistir ao sucateamento da administração pública, suportar musiquinhas melosas, engolir os desmandos de palhaços tragi-cômicos. Créu na gente.
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¹Episódio 22 de Bakuten Shoot Beyblade - "Lutanto Beyblade com os Astros", aos 2:51 min. Hã? Você sabe, né? Ócio, férias, nada melhor p'ra fazer...
sábado, 23 de agosto de 2008
sábado, 2 de agosto de 2008
Um pouco de melodrama...
O passar dos anos me amoleceu. Ando muito sensível ultimamente.
Às vezes, visito a quente e empoeirada salinha onde guardo preciosas recordações. Algumas delas me comovem até as lágrimas, corroendo minhas enevoadas retinas com saudades acridoces. Bagunças no corredor, cartas e bilhetes perdidos, carinhos e abraços e palavras. Gente que eu atazanava, batia, apertava, enchia o saco e amava. Químicas e Físicas e Matemáticas. As muitas coisas erradas que eu disse para a pessoa certa. Os tatamis pretos e azuis empilhados no ginásio. As aulas de Biologia assistidas na lan house. Mochilas entulhadas com dezenas e dezenas de mangás. Instantes de beleza sutil, quase poética. Saudade é um sentimento esquisito.
Quando deixo a salinha para me concentrar no presente, mais crises de pieguice. Costumo contemplar as expressões distraídas dos meus amigos e colegas de Academia; ao fazê-lo, não posso deixar de me considerar uma baita duma sortuda. Gosto do calorzinho que se espalha por mim nessas ocasiões. É como se eu estivesse prestes a me afogar em areia movediça feita com ternura e algodão-doce. O céu, teimoso e resoluto, continua insistindo em seu clichê: ainda é azul e brilhante, apesar de tudo.
Houve um tempo em que eu ficava procurando, em vão, o famigerado "sentido da vida". Uma época em que eu era criança demais, tola demais, egoísta demais. Sempre me perguntava por que o bicho-homem é tão apegado à sua existência acidentada, por que faz esforços absurdos para prolongar seus flagelos e transmitir seus legados. E quanto mais eu buscava as respostas, mais eu me perdia... Até que eu parei de me preocupar com isso. Aos poucos, fui descobrindo a luminosidade secreta de tudo que existe ao meu redor. E percebi o quanto as pessoas são importantes, o quanto são importantes seus sonhos e seus sorrisos, suas tristezas e seus abraços. Coisas valiosas demais, que não podem ser medidas, comparadas, definidas, calculadas ou compreendidas.
Mas voltemos ao presente. Acho que cresci um pouco depois de tudo. E é isso que eu quero continuar fazendo. Crescer, construir, melhorar em todos os sentidos. Conforme aprendi naqueles tatamis pretos e azuis, onde consegui meus machucados mais queridos: "aprender a cada dia um pouco mais e usar esse aprendizado todos os dias para o bem". Quero adquirir e produzir conhecimento, amar infinitamente todos os que iluminam minha vida das mais diversas maneiras, eternizar cada segundo feliz na minha salinha de recordações e, claro, salvar o mundo.
Agora, só me resta uma daquelas perguntas metafísicas: por que, mesmo cercadas por todo esse esplendor que é a vida, um número incontável de pessoas ainda se desgasta por coisas vazias, como poder, território, supremacia racial, guerras, preconceitos, holocaustos e xenofobias? Dizem que Adolf Hitler era vegetariano e que considerava a caça um "desperdício da fauna inocente". Vai entender...
Peço desculpas pelo conteúdo meloso. Eu devo estar ficando velha mesmo...
Texto dedicado aos amigos que eu atazano, bato, aperto, encho o saco e amo.
Às vezes, visito a quente e empoeirada salinha onde guardo preciosas recordações. Algumas delas me comovem até as lágrimas, corroendo minhas enevoadas retinas com saudades acridoces. Bagunças no corredor, cartas e bilhetes perdidos, carinhos e abraços e palavras. Gente que eu atazanava, batia, apertava, enchia o saco e amava. Químicas e Físicas e Matemáticas. As muitas coisas erradas que eu disse para a pessoa certa. Os tatamis pretos e azuis empilhados no ginásio. As aulas de Biologia assistidas na lan house. Mochilas entulhadas com dezenas e dezenas de mangás. Instantes de beleza sutil, quase poética. Saudade é um sentimento esquisito.
Quando deixo a salinha para me concentrar no presente, mais crises de pieguice. Costumo contemplar as expressões distraídas dos meus amigos e colegas de Academia; ao fazê-lo, não posso deixar de me considerar uma baita duma sortuda. Gosto do calorzinho que se espalha por mim nessas ocasiões. É como se eu estivesse prestes a me afogar em areia movediça feita com ternura e algodão-doce. O céu, teimoso e resoluto, continua insistindo em seu clichê: ainda é azul e brilhante, apesar de tudo.
Houve um tempo em que eu ficava procurando, em vão, o famigerado "sentido da vida". Uma época em que eu era criança demais, tola demais, egoísta demais. Sempre me perguntava por que o bicho-homem é tão apegado à sua existência acidentada, por que faz esforços absurdos para prolongar seus flagelos e transmitir seus legados. E quanto mais eu buscava as respostas, mais eu me perdia... Até que eu parei de me preocupar com isso. Aos poucos, fui descobrindo a luminosidade secreta de tudo que existe ao meu redor. E percebi o quanto as pessoas são importantes, o quanto são importantes seus sonhos e seus sorrisos, suas tristezas e seus abraços. Coisas valiosas demais, que não podem ser medidas, comparadas, definidas, calculadas ou compreendidas.
Mas voltemos ao presente. Acho que cresci um pouco depois de tudo. E é isso que eu quero continuar fazendo. Crescer, construir, melhorar em todos os sentidos. Conforme aprendi naqueles tatamis pretos e azuis, onde consegui meus machucados mais queridos: "aprender a cada dia um pouco mais e usar esse aprendizado todos os dias para o bem". Quero adquirir e produzir conhecimento, amar infinitamente todos os que iluminam minha vida das mais diversas maneiras, eternizar cada segundo feliz na minha salinha de recordações e, claro, salvar o mundo.
Agora, só me resta uma daquelas perguntas metafísicas: por que, mesmo cercadas por todo esse esplendor que é a vida, um número incontável de pessoas ainda se desgasta por coisas vazias, como poder, território, supremacia racial, guerras, preconceitos, holocaustos e xenofobias? Dizem que Adolf Hitler era vegetariano e que considerava a caça um "desperdício da fauna inocente". Vai entender...
Peço desculpas pelo conteúdo meloso. Eu devo estar ficando velha mesmo...
Texto dedicado aos amigos que eu atazano, bato, aperto, encho o saco e amo.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Título III - Dos livros
Nos últimos dias, redescobri minha paixão pelos livros. Nos períodos de férias, ela sempre se torna mais intensa. Com o tempo livre, posso desfrutar mais pacientemente dos volumes que eu tenho em casa e daqueles que encontro na biblioteca da UFPI. Gosto de senti-los, de degustá-los, de apreciá-los palavra por palavra.
Cresci em meio às histórias em quadrinhos, Coyotes e livros amarelados do meu pai. Mesmo tendo rabiscado e rasgado muitas dessas publicações, elas me perdoaram e me aceitaram como sua fiel admiradora. Aprendi a amar os clássicos do Batman, o humor sutil de J. Mallorqui e as páginas poeirentas de Tarzan, o magnífico. Aprendi a amar também as estantes de bibliotecas, e criei o hábito de passear sem rumo por elas. Os livros são tão fascinantes... Uma fonte inesgotável de conhecimento. O incentivo maciço e eficiente à leitura contribuiria bastante para a construção de um país mais consciente.
Livros e prática esportiva: eis aí minha fórmula para melhorar o sistema de ensino brasileiro e para salvar o mundo. Parece tão simples...
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Cresci em meio às histórias em quadrinhos, Coyotes e livros amarelados do meu pai. Mesmo tendo rabiscado e rasgado muitas dessas publicações, elas me perdoaram e me aceitaram como sua fiel admiradora. Aprendi a amar os clássicos do Batman, o humor sutil de J. Mallorqui e as páginas poeirentas de Tarzan, o magnífico. Aprendi a amar também as estantes de bibliotecas, e criei o hábito de passear sem rumo por elas. Os livros são tão fascinantes... Uma fonte inesgotável de conhecimento. O incentivo maciço e eficiente à leitura contribuiria bastante para a construção de um país mais consciente.
Livros e prática esportiva: eis aí minha fórmula para melhorar o sistema de ensino brasileiro e para salvar o mundo. Parece tão simples...
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- Dia desses, enquanto eu lia A menina que roubava livros, de Markus Zusak (obra que recomendo a todos os públicos), minha irmã fez um trocadilho, referindo-se a mim: "A menina que devorava livros", ela disse. Não pude deixar de me sentir elogiada.
- As eleições municipais se aproximam e os carros de som já percorrem a cidade, reproduzindo peças musicais de gosto duvidoso. Santa paciência...
- No fim de semana, participei do Seminário Latino-Americano de Comunicação, cujo tema foi "Comunicação e rádio para o desenvolvimento local". Conheci as iniciativas de muitos comunicadores renomados que se dedicam ao aumento da capacidade crítica do público. Virei fã do jornalista Élson Faxina. As palestras foram muito boas (sem falar no sachê de castanhas torradas que eu ganhei como cortesia...).
- Minhas férias estão acabando. Vou aproveitar meus últimos dias de moleza para comer, dormir, ler e devanear.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Uma gota no oceano
Minha irmã não gosta de telejornais. Ontem, enquanto assistíamos juntas ao Jornal da Globo, disse que "as pessoas têm que ter muito estômago para ver isso". Concordo. Diante de uma realidade tão opressora, por que repreender aqueles que preferem a alienação? (Pois é... Acho que já é hora de tirar umas férias dessa avalanche de idéias marxistas.) Na minha singela e humilde opinião, as produções jornalísticas não deveriam ser simples narrativas dos intrincados enredos da política e da economia ou seqüenciais de tragédias. Se bem que elas não são apenas isso. Sempre tem umas reportagenzinhas para relaxar, sobre moda, esporte ou outras coisinhas. Eis o formato atual do jornalismo brasileiro. Reconheço que não é de todo ruim. Cumpre sua missão de informar. Contudo, sempre que vou assistir a um telejornal, tenho a sensação de que algo está errado. A forma como as notícias são abordadas parece relegar o público a uma condição de incapacidade diante dos fatos. Talvez só eu me sinta assim... Talvez seja apenas mais uma das minhas numerosas, digamos, anomalias. Mas não posso evitar. A grandiosidade dos acontecimentos (os intrincados enredos, lembra?) me reduz a uma estudante de dezessete anos impotente, que janta no sofá enquanto todo o resto desmorana.
Foi baseada nessa sensação - e também na estranha e até absurda vontade que eu tenho de "salvar o mundo" - que eu decidi como eu quero que seja o meu jornalismo. Quero fazer um jornalismo da esperança. Quero mostrar os heróis de todo o dia, as pequenas e valiosas contribuições que algumas pessoas - seres humanos, com seus defeitos, problemas e necessidades - dão para a construção de uma realidade mais acolhedora (primeiro informe do noticiário da esperança: minha amigona Luana, também estudante de Comunicação Social da UFPI, machucou o pé ao socorrer uma senhora prestes a ser atropelada. Faço minhas as palavras do nosso colega Jefferson Snard: "quero ser igual à Luana quando eu crescer".). Quanta gente já dedicou sua vida a uma boa causa? Quanta gente já se sacrificou pelo bem do planeta? Quantos médicos, juristas, professores, ecólogos, jornalistas e tantos outros profissionais abandonaram carreiras promissoras para aplicar seus conhecimentos em ações solidárias? Muitos, tenho certeza. São essas pessoas que me fazem acreditar que a humanidade vale a pena. Não é a cúpula do G8 nem são as FARC.
Para ser sincera, sou mesmo apenas uma estudante de dezessete anos. Não entendo muito das oscilações da bolsa, nem de esquemas de lavagem de dinheiro, nem das decisões do G8. Não nego que é uma deficiência minha, e estou disposta a corrigi-la. Tudo isso é, de fato, muito importante para o nosso destino. Entretanto, apesar de não entender muito dessas coisas, entendo muito bem os sorrisos dos meus mais caros amigos, entendo de superação e esforço, entendo o que é lutar pelo que se acredita. E, como disse Luther King, "é com essa convicção" que eu vou tentar "arrancar deste oceano de desespero uma gota de esperança".
Ingênuo? Utópico? Pode ser. E é, admito. Mas sonhos e utopias são bons alicerces, e eu quero acreditar nos meus.
"Deve ser de cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos 30
E no meio de uma depresssão
Te ver e ter beleza e fantasia..."
"Vamos fazer um filme", Legião Urbana.
P.S.: outro dia, liguei 102 para conseguir o telefone do SETUT. Chamou uma vez, e logo depois ouvi uma gravação bem conhecida: "Este número não existe. Ligue 102 para informações."
^_^
Foi baseada nessa sensação - e também na estranha e até absurda vontade que eu tenho de "salvar o mundo" - que eu decidi como eu quero que seja o meu jornalismo. Quero fazer um jornalismo da esperança. Quero mostrar os heróis de todo o dia, as pequenas e valiosas contribuições que algumas pessoas - seres humanos, com seus defeitos, problemas e necessidades - dão para a construção de uma realidade mais acolhedora (primeiro informe do noticiário da esperança: minha amigona Luana, também estudante de Comunicação Social da UFPI, machucou o pé ao socorrer uma senhora prestes a ser atropelada. Faço minhas as palavras do nosso colega Jefferson Snard: "quero ser igual à Luana quando eu crescer".). Quanta gente já dedicou sua vida a uma boa causa? Quanta gente já se sacrificou pelo bem do planeta? Quantos médicos, juristas, professores, ecólogos, jornalistas e tantos outros profissionais abandonaram carreiras promissoras para aplicar seus conhecimentos em ações solidárias? Muitos, tenho certeza. São essas pessoas que me fazem acreditar que a humanidade vale a pena. Não é a cúpula do G8 nem são as FARC.
Para ser sincera, sou mesmo apenas uma estudante de dezessete anos. Não entendo muito das oscilações da bolsa, nem de esquemas de lavagem de dinheiro, nem das decisões do G8. Não nego que é uma deficiência minha, e estou disposta a corrigi-la. Tudo isso é, de fato, muito importante para o nosso destino. Entretanto, apesar de não entender muito dessas coisas, entendo muito bem os sorrisos dos meus mais caros amigos, entendo de superação e esforço, entendo o que é lutar pelo que se acredita. E, como disse Luther King, "é com essa convicção" que eu vou tentar "arrancar deste oceano de desespero uma gota de esperança".
Ingênuo? Utópico? Pode ser. E é, admito. Mas sonhos e utopias são bons alicerces, e eu quero acreditar nos meus.
"Deve ser de cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos 30
E no meio de uma depresssão
Te ver e ter beleza e fantasia..."
"Vamos fazer um filme", Legião Urbana.
P.S.: outro dia, liguei 102 para conseguir o telefone do SETUT. Chamou uma vez, e logo depois ouvi uma gravação bem conhecida: "Este número não existe. Ligue 102 para informações."
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